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A ESTÓRIA DO ENCONTRO DE CAMBALEÚ COM SEUS AMIGOS EVANGELHO, PREGADOR E JESUS CRISTO

Esse foi sem dúvida um encontro histórico! Cambaleú, embora sempre muito visitado por milhares de pessoas, todos os anos, já há algum tempo não se reunia com seus amigos Evangelho, Pregador e Jesus Cristo. Eles sempre foram amigos e como tais, sempre estiveram muito próximos. Mas nos últimos anos ambos perceberam que houve certo distanciamento entre eles… Falando honestamente, Cambaleú e Pregador, por alguma razão, se afastaram muito de Evangelho e de Jesus. Preocupados com isso, Jesus e Pregador tiveram a ideia de oportunizar um reencontro entre eles, afinal, amigo que é amigo, é amigo em qualquer época, lugar e circunstância.

– Vamos nos reunir! – propôs Evangelho, ligando assim para Cambaleú, Pregador e Jesus Cristo a fim de organizar o reencontro.

– Estou com uma agenda bem apertada, mas vou me esforçar para incluir vocês nela – respondeu Pregador que, diga-se de passagem, é sempre muito solicitado.

– Mas você está sempre com Cambaleú! Assim me sinto rejeitado – retrucou Evangelho.

– Ok, ok. Tem uma data em vista? – perguntou então Pregador. 
Cambaleú então disse que no mês de Abril era impossível, pois é justamente nesse mês que ele recebe muitas pessoas em sua casa. Jesus Cristo, como sempre, meigo, terno, mas sóbrio e com ar de apreensão, propôs que o encontro não demorasse a ocorrer.

– Eis que venho sem demora – advertiu Ele solenemente…

Assim, houve anuência de ambas as partes e o encontro enfim foi marcado. Eles combinaram que nesse momento juntos, além de uma ocasião de comunhão entre amigos, tratar-se-ia também de um momento que poderia redefinir os rumos da vida de muitas pessoas, já que tanto Cambaleú, Pregador, Evangelho e Jesus Cristo são seguidos e admirados por tantos, no Brasil e fora dele. Com efeito, a influência desses quatro é enorme. 

O encontro finalmente aconteceu. Cambaleú chegou junto com Pregador (os dois se mantém, já há vários anos, inseparáveis) e Jesus Cristo junto com Evangelho (os dois também mantém uma longa e estreitíssima amizade). Depois de relembrarem circunstâncias marcantes que viveram juntos, quantas pessoas alcançaram e como o mundo necessitava da obra missionária, algo tão valorizado por Cambaleú, Jesus tomou a palavra e com voz profunda e marcante, dirigindo-se a Cambaleú e Pregador, disse sem rodeios, como é típico Dele fazer:

– Meus amigos! Estou preocupado com os rumos que vocês dois estão tomando. Percebo que rapidamente vocês estão se distanciando de Evangelho e que esse afastamento não tem sido bom para vocês. A influência dele sobre vocês continua sendo fundamental. 

– Mas Jesus – retrucou Pregador – Você precisa entender que hoje eu tenho uma agenda muito apertada, e não consigo estar mais tão próximo assim de Evangelho. E convenhamos: se eu aderir seu estilo perco espaço nas igrejas, hoje. Os tempos mudaram…

Cambaleú, sem entender muito bem o que Jesus estava pretendendo dizer, perguntou:

– Senhor, onde quer chegar com este comentário?

Jesus, novamente, com seu olhar marcante e voz como de muitas águas, disse a Cambaleú:

– Lembra de onde caíste e arrepende-te. Você deve guardar as primeiras obras e voltar ao primeiro amor. Cambaleú, Cambaleú… Você está cambaleando, cambaleando, e não se dá conta disso.

Pregador ficou chocado! A conversa tomara um rumo não esperado por ele e por Cambaleú.

– Mas Jesus, como pode dizer isto? Cambaleú recebe tantos milhares de pessoas e tantos como eu que se esforçam para estar junto dele. Isto é sinal de que ele está fazendo tudo certo – disse Pregador.

Evangelho então interpela:

– Mas Pregador, nem sempre o que funciona é o correto ou é sinal de que tudo esteja indo bem. Se pensarmos dessa forma, cairemos no pragmatismo religioso. Que tipo de compreensão da vida cristã está sendo produzida nessas pessoas? Qual o teor do que lhes está sendo dito ano após ano?

– Mas, em que estamos errando Senhor, Evangelho? – perguntou Cambaleú.

Evangelho então é incisivo:

– Cambaleú, há vários fatores que indicam vosso afastamento de mim e, por conseguinte, do Senhor Jesus. Veja: Pregador se comporta como um ator durante suas ministrações. Muda a voz, assume trejeitos que não são seus, “veste” uma personalidade que não é a sua e profere chavões, clichês, “palavras proféticas” sempre de modo irrefletido. Não é possível ver sinceridade em suas ministrações. Ele se comporta como um entregador de encomendas que não são suas, e não como um despenseiro de fato, que cuida ele próprio da despensa divina, da qual ele próprio participa e em seguida compartilha com as outras pessoas. Está mais do que claro que suas pregações são terrivelmente influenciadas pela Confissão Positiva e pela Teologia da Prosperidade e você, no entanto, não parece tomar medidas sérias e corretivas para que isso seja evitado em sua casa. E vejo com tristeza muitos que desejam ser como Pregador e vão até você também para conseguirem isso, mas a intenção dessas pessoas notadamente é chegar à fama, ter uma agenda lotada, alcançar o topo. Ah! E como se fala em sua casa de “topo”, “vitória”, “alcançar isso e aquilo”. Os sermões lá proferidos são fortemente marcados pelo individualismo, egoísmo, antropocentrismo e Deus não é glorificado. Quase não se fala de Jesus em sua casa, Cambaleú. É por essas coisas que Jesus disse que você está cambaleando para cair. 

– Mas como assim Evangelho!? – novamente retrucou Pregador – Tudo que nós afirmamos de bom que vai acontecer na vida dos nossos ouvintes, lá na casa de Cambaleú, é dito que será feito por Deus.

– Pregador! – disse Jesus em seguida – Mas Eu também ensinei nas Escrituras que “no mundo tereis aflições” e que “por minha causa sereis odiados e perseguidos, maltratados”. A vida cristã, o discipulado cristão, não é só viver de vitória em vitória, mas é também “saber estar abatido, e também ter abundância; é ser, em toda a maneira, e em todas as coisas, instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome, tanto a ter abundância, como a padecer necessidade”. Você mesmo, Pregador, e você Cambaleú, parecem já ter esquecido isso.

A essa altura da conversa, Pregador se irrita, levanta e vai embora. Sai da reunião alegando que “Deus o levantou como profeta à nação brasileira” e que Jesus e Evangelho estão equivocados. Jesus reage dizendo que o ministério profético cessou no Antigo Testamento e que agora Ele precisa de despenseiros de Deus que abram a Bíblia, a Revelação de Deus escrita à humanidade, e a comuniquem com fidelidade ao povo, e não de pregadores que, como Pregador, ficam usando frases de efeito desprovidas de qualquer coerência Escriturística, no afã de apelar ao emocional das pessoas e causar uma reação que indique que ele próprio está tendo êxito em sua pregação. 

A conversa estava realmente muito pesada e Pregador não suportou as duras críticas que estavam sendo feitas à sua conduta enquanto ministro. Após Pregador ir embora, Cambaleú disse a Jesus e a Evangelho:

– Mas o que houve com vocês? Porque pensam assim a nosso respeito?

– Bem – respondeu Evangelho – Por que nós os amamos e desejamos que vocês refaçam aquele caminho trilhado antigamente, onde a preocupação era de fato anunciar Jesus aos pecadores e conduzi-los ao conhecimento das Escrituras. Sua casa, Cambaleú, não deve mais ser usada tal como está sendo hoje: para o espetáculo, exibição humana, disputas de egos, exposições prédicas vazias e sem sentido que não tocam a realidade da vida das pessoas, apenas prometem bênçãos e bênçãos sem apresentar as exigências de uma vida crucificada com nosso Mestre, Jesus. 
Cambaleú simplesmente parou, ficou reflexivo, com aquele olhar distante. Houve um silêncio sepulcral à mesa. Jesus, então, ponderou novamente, como só Ele sabe fazer, dizendo à Cambaleú:

– Eu admoesto e corrijo a todos quantos amo e quero bem. Arrepende-te, pois, e volta ao primeiro amor, às primeiras obras. Lembra-te da minha ordem: Ide e pregai o Evangelho a toda a criatura. E o Evangelho é puro, simples, alicerçado nas Escrituras…

Depois de dizer isso, Jesus e Evangelho se levantam, dão um abraço demorado em Cambaleú e sinalizam que vão se retirar. Jesus diz a Cambaleú então:

– Não se preocupe! Eis que estou à porta e bato, e se você abrir eu entrarei e cearei contigo. Caso decida não voltar às primeiras obras, lembre-se, eis que breve venho e o meu galardão está comigo para dar a cada um segundo a sua obra.

Cada um tomou seu caminho e a conversa estava de fato encerrada. Os quatro voltariam a se encontrar? Os conselhos e advertências de Jesus e de Evangelho seriam acatados? São perguntas que ainda aguardam resposta… Há, contudo, esperança.


[1] Postado no Facebook em 04 de Janeiro de 2017.

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DA IMPORTÂNCIA DE SONHAR…

(em meu escritório)

Quem de nós não tem seus sonhos? E aqui, claro, não estou escrevendo sobre sonhos que sonhamos enquanto dormimos. Não falo daquelas imagens oníricas que perfazem nossa mente durante o sono e que Sigmund Freud, o “pai da Psicanálise”, tentou entender para compreender que mensagens do inconsciente humano elas estão transmitindo.
Neste texto quero refletir brevemente sobre os sonhos que sonhamos acordados… Bem acordados! Daquelas nossas aspirações profundas que nos fazem “sofrer”. E como diz um amigo meu: Podemos e até devemos ter a cabeça nas nuvens, mas com os pés fincados no chão. Particularmente, ao longo de vários anos, tenho encarado os sonhos dessa forma. Eu “viajo” em meio às minhas aspirações, e confesso que desconfio até de que às vezes sonho alto até demais, mas sempre tendo em mira minha real condição e sempre considerando as circunstâncias que me envolvem.
Ao longo da minha peregrinação, sonhei muitas vezes. Tive grandes sonhos realizados. Cheguei a reta final mais de uma vez e cultivo em minha alma muitos outros sonhos. Mas tenho aspirações profundas ainda não alcançadas, pelas quais prossigo lutando. Nesse caminho, tenho me deparado com muitas situações e sensações:
– Amigos que não mais comigo estão;- Diversos “Não’s” explícitos e implícitos;- Total apatia de algumas pessoas por aquilo que era e é tão significativo para mim;- A falta de recursos financeiros para alavancar projetos e,- A solidão.
Acredito que para você que me lê, esses desafios se fizeram reais muitas vezes. E eles nos desmotivam em alguns momentos, levando-nos ao “deserto da tentação para a estagnação”. Ali, contudo, podemos na imensidão do nada, refletir, estar a sós conosco mesmo e então retomar o ânimo e prosseguir. 
O filósofo brasileiro Mário Sérgio Cortella lança uma pergunta que me inquieta e que de algum modo me motiva a prosseguir: “Qual é a tua obra?” Tenho me feito esta pergunta. E a faço não porque esteja indefinido quanto a isto, mas porque ela precisa ser refeita sempre. Precisa ser refeita sempre para que não esqueçamos nossos sonhos, visto que são eles que nos fazem avançar e construir nossa obra na vida. 
Algumas vezes me pergunto como seria a minha vida sem a adrenalina do “não ter”, do “não ter alcançado ainda”, “da falta”. Penso que eu sentiria muita falta de ter falta. Ter falta de algo me motiva a buscá-lo, me mantêm em movimento, me mantêm “indo avante”. Aí percebo a importância do sonhar, do sonhar sempre e de ser resiliente para alcançar o sonho. Assim, prossigo sonhando, sonhando com os pés no chão, com a cabeça nas nuvens e com os olhos em Deus.

Roney Cozzer

Também no Blog Fundamentos Inabaláveis


ENTREVISTA À REVISTA COMUNHÃO

Hoje, 21 de fevereiro de 2019, tive o prazer de ceder por escrito uma entrevista à Revista Comunhão para comentar a respeito do nosso último livro lançado, Dificuldades bíblicas: caminhos para entender pontos difíceis da Bíblia. Foi uma experiência muito agradável, com perguntas bem elaboradas para as quais procurei apresentar respostas coerentes. Espero de coração poder contribuir com todos os leitores. A entrevista está disponível no site da Revista e você pode conferir na íntegra. Clique aqui para ler.

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APRENDENDO COM A CAMINHADA…

Prezados(as), depois de tantos anos de caminhada no Evangelho, como alguém sempre muito ativo no seio de uma igreja local, estou vivendo algo novo e diria até “inesperado” para mim mesmo. Naturalmente, este momento reflete, de certo modo, um processo que já dura anos.
Residindo em um estado novo, longe do meu reduto onde vivi 20 anos e desenvolvi tantas atividades ministeriais, estou experimentando uma realidade que eu diria ser inédita para mim: Vim morar numa cidade nova, com minha família, onde não conhecíamos ninguém e eu assumi uma função que tem exigido muito de mim, onde minha vida tem se limitado, basicamente, às minhas funções na faculdade e às minhas atividades literárias, mas nada numa igreja local. O inédito a que me refiro aqui é o não estar desenvolvendo alguma atividade eclesial. Meu novo trabalho tem sido um desafio delicioso, para dizer a verdade, embora bem desgastante, e que me tem propiciado um grande crescimento profissional, mas quanto a atividades ministeriais, estou experimentando uma redução de quase 100%.
Aqui, não me vinculei (e nem pretendo) me vincular a uma igreja local. Isto me provoca dores, confesso, pois para alguém que sempre desenvolveu algum trabalho eclesial, é realmente desafiador dedicar-se apenas a uma atividade secular… Mantenho meu vínculo com minha querida igreja em Porto de Santana, onde encontrei um pastor amigo e pessoas amigas. Continuo como presbítero ordenado vinculado àquela igreja.
Naturalmente, residindo em outro estado, na melhor das hipóteses, vou poder participar de algum culto em minha igreja uma vez ao mês. Aqui, onde estou morando atualmente, já visitei uma igreja, pretendo visitar outra, mas como escrevi acima, não pretendo me vincular.
Esta situação nova para mim, esse “desligamento parcial” de uma vida eclesial tão ativa, tem provocado em mim sensações variadas que quero compartilhar com você que me lê.
Começo mencionando o fato de que estou vendo, na prática, que o Senhor não nos desampara, e que seu amor não se restringe a um ambiente eclesial específico como tantas vezes fui tentado a pensar. Deus não é um private do momento do culto ou de alguma denominação em particular. A gente cresce num contexto religioso muitas vezes tão fechado e ensimesmado que chegamos mesmo a pensar que só podemos encontrar Deus nos bancos do templo… É realmente reconfortante saber que Ele está conosco a despeito de uma desaceleração das atividades ministeriais. Mas embora tenha esta convicção, há outra sensação que provoca dor em meu coração: Sinto falta daquela convivência tão salutar com os irmãos, aquela convivência pura, sincera e marcada por verdadeira fraternidade cristã. Sinto falta de ver minha filhinha mais envolvida com as atividades da igreja local, o que muito ajuda na educação de nossos filhos, convenhamos. Por não termos veículo e por aqui tudo ser um pouco distante, este afastamento acaba aumentando um pouco.
Mas noutra mão, preciso admitir, sendo bem honesto, tenho experimentado uma sensação que me parece, eu diria, libertadora: É a sensação de não estar sendo vigiado, de não estar na companhia de pessoas que lhe lançam aquele “olhar raio-x” porque você está de barba, que lhe condenam porque você postou uma foto de bermuda no Facebook, dentre outras práticas que considero medievais, mas que são comuns em nosso meio cristão e com as quais convivo durante décadas.
Infelizmente, o movimento evangélico no Brasil distanciou-se muito do Evangelho de Cristo. Durante todos esses anos eu vi muita coisa sedimentar em nosso contexto que nos adoeceram muito: Vi muito utilitarismo nas relações, despotismo na liderança cristã, muita religiosidade tosca e desprovida de sentido, muita gritaria e histerismo, pessoas sendo humilhadas e constrangidas em público em nome da “disciplina cristã”, vi amizades longas acabarem porque uma das pessoas desanimou na fé e por isto mesmo foi abandonada, vi crentes vociferarem sobre o pecado dos outros condenando-os ao Inferno sem qualquer sentimento cristão pelo outro e a lista prossegue.
Vi igrejas e pastores fecharem portas para bons ensinadores da Palavra apenas por discordarem de pontos de vista teológicos, mas cederem seus púlpitos para políticos corruptos e à homens execráveis, grosseiros e estúpidos que se apresentam como “pregadores” e ainda pagarem para ouvi-los.
Eu vi gente vir a mim e pedir perdão pelo mau que me fizera, mas não porque se arrependera de fato ou por me amar, mas porque a religião determina que seja assim… É preciso cumprir o protocolo, apenas isto. Gente que não entendeu o significado do Evangelho de Cristo e do amor ao próximo.
Vi lideranças evangélicas empurrarem para “debaixo do tapete” todo tipo de sujeira em nome de não difamar a Igreja, quando na verdade estavam contribuindo para destruir ainda mais nossa imagem diante da sociedade. Uma instituição séria e íntegra age com lisura e transparência e não espanca jornalistas e compra periódicos para abafar os erros de seus líderes, algo visto em contextos eclesiais até com certa frequência.
Vi crentes dizerem a outros crentes para não desanimarem na fé apesar de todos os problemas da igreja local, jogando sempre a culpa no Diabo por problemas que são nossos, não dele. O ambiente evangélico se tornou tão hostil e adoecedor assim nos últimos anos não foi por culpa do Diabo, mas nossa! Nós é que nos tornamos péssimos em nossas relações eclesiais e transferimos nossa responsabilidade.
Não! Não sou um ressentido ou alguém que esteja magoado com a Igreja. Pelo contrário. Tenho estado em paz com Deus. Quando oro, sinto logo Sua presença e tenho visto seu cuidado sobre mim e sobre minha família. Mas isto não significa necessariamente que eu deva me conduzir ignorando todos esses problemas em nome de “não escandalizar os outros”. Prefiro abordar nossos problemas de forma honesta e sincera e confesso – de novo! – que a sensação de estar de certo modo distante disso tudo, é libertadora. Dias atrás, conversando com um grande amigo e também um grande homem de Deus, alguém que como eu dedicou nada menos que uma vida à Igreja, ouvi dele a seguinte expressão: “Estou com nojo de igreja!” Anos atrás, ao ouvir uma frase como esta, meu “arsenal ortodoxo-apologético” já ficaria a postos. Hoje, depois de tantas marcas do passado, e de encontros e reencontros com Cristo, minha solidariedade se estende a quem diz isto e procuro ouvir mais que falar… Ou nos refazemos como Igreja ou perderemos totalmente nossa relevância, perdendo de vista nossa missão. As pessoas estão se afastando cada vez mais do ambiente eclesial e fazem bem em fazê-lo, já que ele cada vez mais perde sua finalidade terapêutico-espiritual para se tornar um ambiente que adoce, onde o amor é utilitário, onde pessoas não fazem falta, onde o dinheiro é o deus e onde pastores consolidam seus impérios… Particularmente, prossigo! Continuarei orando, confiando nele e buscando direção, mas consciente de que Ele me deu pés para caminhar e discernimento para não sair da estrada. Um desigrejado? Certamente não, mas repensando muita coisa sim. Uma pertença institucional mais flexível? Sim, creio que esta é uma definição adequada para mim neste momento. E nesta pertença institucional mais flexível quero permanecer enquanto isto for possível. Se não me aceitarem nesta condição e decidirem me por para fora, fechar as portas e me renegarem ao status de herege, que o seja! O verdadeiro Cristianismo não é imposição ou seguimento cego e irrefletido. Conscientemente, eu jamais me submeteria a esse tipo de religião.
 
Roney Cozzer
Apenas um escritor que não deu certo aventurando-se em um novo livro…

CONFISSÕES DE UM PENTECOSTAL

LENDO LIVRO DE ATAS DA DÉCADA DE 1980 E INÍCIO DA DÉCADA DE 1990

Costumo dizer que sou pentecostal há 34 anos (minha idade atualmente), já que fui criado como filho adotivo por uma família de orientação pentecostal. Só tive duas denominações em toda a minha história: comecei na Igreja Missionária Caminho do Céu e em seis de janeiro de 2001 me vinculei à Assembleia de Deus.
Confesso que como pentecostal presenciei o eclodir de uma religião viva, dinâmica e que me apresentou um Jesus real, que “tem boca e fala”, bem diferente daquele Jesus moribundo retratado nos quadros que ficavam pendurados nas paredes de muitas casas. Sempre cantávamos: “Não creio, não creio num Cristo vencido…”. Esse Jesus, que me foi apresentado pelo Pentecostalismo, é o “meu Jesus”. Ele não é um nome perdido nas folhas da História ou unicamente aquele Jesus mencionado pelo exegeta: “[…] um judeu de pé sujo de terra, cabelo desgrenhado, feio provavelmente…” (Fala pronunciada pelo exegeta Osvaldo Luiz Ribeiro no Painel Jesus sob Pressão. Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=BNDVDqcPZ3o>. Acesso em: 16 jul. 2014). Por mais que esta assertiva seja verdadeira, um pentecostal jamais se contentaria com ela apenas. Ele também é vivo, é poderoso, é o Filho de Deus que deu sua vida para nos salvar.
Confesso que no Pentecostalismo vi pessoas simples que com pouca força fizeram grandes coisas. Gente como a gente, com problemas pessoais, com fraquezas, limitações, mas com coração sincero e aberto a uma causa maior do que elas mesmas. Vi homens e mulheres iletrados abrirem a Bíblia e pregá-la com profundidade, de maneira tocante e convincente. Vi pessoas terem suas vidas transformadas ouvindo pregadores e pregadoras assim. E aí está algo que me toca profundamente: a mudança operada pelo evangelho na vida das pessoas. Como é difícil mudar um ser humano! Mas pelos corredores de igrejas pentecostais, isto aconteceu incontáveis vezes.
Confesso que como pentecostal ouvi Deus falar! Sim, isto mesmo. Para alguns filósofos, historiadores, psicólogos e até mesmo teólogos, afirmar que “Deus falou” com alguém beira à insanidade mental. Há quem costume brincar dizendo que falar com Deus é normal, ouvir Deus falar, contudo, indica problema psicológico. Brincadeiras à parte, se há algo que é claro e firme para um pentecostal genuíno, é que Deus fala com a Igreja hoje, e fala com ele de modo particular. Deus fala através de visões, através de sonhos, através de sinais do cotidiano, através de palavras proféticas. É comum entre nós a expressão “Deus me mostrou” ou “Deus falou comigo”. Isto para nós é algo natural, que não nos causa estranheza.
Enquanto escrevo este livro, estou residindo no Rio de Janeiro. Mudei-me para este estado para trabalhar numa faculdade no município de Araruama. Antes de vir para cá, algumas semanas apenas antes de mudar, recebi um pastor em minha casa. Um amigo. Quando ele estava para sair, pedi que orasse e quando ele concluiu, disse que me via num campo verdejante, acompanhado de um varão de branco, e na visão, eu estava muito feliz. Em seguida, ele prosseguiu dizendo que Deus o fazia entender que Ele estava “levantando” um homem de fora do meu contexto, que “estenderia a mão para me ajudar” e que eu não mais permaneceria no estado do Espírito Santo, mas seria levado a outro lugar. Quando isto aconteceu, meu Diretor Acadêmico já havia sinalizado para mim a proposta de mudança. Esse pastor, meu amigo, nada sabia a respeito. Como explicar algo assim se não pelo fato de que Um Ser Divino conduzia minha história? O curioso é que meu Diretor Acadêmico é um homem que conheço há menos de um ano, não é evangélico e foi quem oportunizou minha inserção aqui na faculdade. Para um pentecostal, fatos assim não só são perfeitamente possíveis, como são até normais.
Mas nem tudo são flores no Pentecostalismo. Nosso querido Movimento Pentecostal vem enfrentando problemas sérios, idiossincráticos é verdade, mas enfrenta também problemas que são reflexos do que está acontecendo com o movimento evangélico brasileiro de um modo geral. E isto de certo modo evidencia o quão evangélico ele é, ainda que alguns cristãos reformados insistam que ele é um movimento anticristão.
Vi o Pentecostalismo tornar-se “pesado” e difícil de ser suportado em seu aspecto institucional. Excesso de formalidade, obsessão por títulos eclesiásticos, culto pomposo e pregações carregadas de autoafirmação vêm marcando nossa trajetória nesse início de século. Nossa querida Assembleia de Deus insiste num modelo de liderança falido: o líder centralizando tudo em torno de si. Em nossas reuniões de obreiros, só se ouve a voz do Pastor-presidente e quando muito, a de alguém designado por ele para falar.
Como pentecostal, vi levantar-se uma geração de jovens pentecostais idiotizados e “redondamente” enganados a respeito do Evangelho. Quando eu era jovem, minha motivação era Cristo, era amá-lo, era anunciá-lo ao mundo e servi-lo. Vi, contudo, levantar-se uma geração de jovens pregadores pentecostais que passaram a encarar o púlpito pentecostal como espaço para a sua autopromoção. Seu interesse na pregação estava (e está) mais para a fama, para o dinheiro e para as viagens do que para anunciar Jesus às pessoas. Vi essa geração inspirar-se em pregadores pentecostais famosos, mas sem qualquer cultura bíblica, teológica e secular. Tive sorte! Cresci lendo teólogos pentecostais competentes e por mais que hoje possa até divergir de alguns de seus pressupostos teológicos, ainda assim me mantenho grato pois deles fui impulsionado a progredir na leitura, no aprendizado, no conhecimento da Bíblia e da Teologia.
Como obreiro pentecostal fui forjado para o trabalho, para a Seara do Mestre. Venho de uma safra de obreiros pentecostais gerados para servirem a Deus, à Igreja e ao próximo. Hoje, ser pastor tornou-se uma moda. Todo mundo é pastor e todo mundo se acha apto para ser pastor. Já reparou isto? Pregadores itinerantes que sequer prestam frequência em suas igrejas locais são levados ao pastorado para terem “maior abertura” nas igrejas. E isto sob o endosso de Pastores-presidentes e convenções assembleianas. Posiciono-me radicalmente contra esta tendência. Pastorado é cuidado, é amor ao próximo, é abnegação, é entrega. Não sou pastor, mas tive pastores de verdade e tenho pastor hoje. A meu ver, o que está acontecendo no Brasil é um desvio do verdadeiro sentido da vocação pastoral…
Como pentecostal, confesso, vi o culto pentecostal perder sua essência. A forçação de barra é tanta que presenciamos em cultos as pessoas buscarem dirigir a ação do Espírito Santo. Frases de efeito, empurra aqui, empurra ali, gritos estridentes e muita apelação. Já presenciei, muitas vezes, a ação do Espírito Santo entre nós. Num culto genuinamente pentecostal e não histérico, é comum ela acontecer como aconteceu no dia de Pentecostes: “De repente…” (At 2.2). De modo inesperado mas profundamente desejado, o Espírito Santo age, fala, distribui dons e enche os crentes. E como é bom que seja assim, pois cria em nós aquela sensação maravilhosa de que o que está acontecendo não é obra do homem, mas de Deus. Isto é culto pentecostal de fato!
Confesso que vi a religiosidade tomar o lugar da santificação bíblica entre nós. Muita religiosidade tem marcado nossa trajetória, infelizmente. E por “religiosidade” aqui não me refiro àquela espiritualidade sadia que marca o genuíno Pentecostalismo, mas sim àquelas práticas que conquanto travestidas de piedade cristã, apenas revestem um coração egoísta, interesseiro, apodrecido, que não reconhece suas próprias mazelas. Como pentecostal, tenho visto as pessoas usarem a Bíblia e Deus em nossas igrejas para legitimar seu próprio poder, sua incapacidade de “passar o cajado” a outros, de compartilhar. Em nome da ortodoxia muitos se tornam indiferentes à condição alheia e as circunstâncias difíceis que envolvem a vida das pessoas. Temos vivido de fórmulas prontas e usamos essas fórmulas para explicar os acertos e fracassos dos outros, quando na verdade a vida é um complexo de coisas, de circunstâncias e de fatos específicos para cada um de nós. Criticamos quem se divorciou porque a fórmula diz que “divorciar-se é pecado”, mas esquecemos que a Igreja, décadas atrás, “empurrou” para o casamento uma geração de jovens totalmente despreparados e imaturos em nome da santificação. Esses jovens, hoje, estão se divorciando. Criticamos os desigrejados porque a fórmula diz que “é preciso congregar”, mas sejamos sinceros: poucos ambientes hoje são tão adoecedores como o ambiente eclesial. E nós fizemos dele o que se tornou. Naturalmente, nem todos suportam esse ambiente e eu respeito sua escolha, ainda que entenda que não seja uma saída viável para o problema da Igreja. Não raro, envolver-se em atividades de uma igreja local é sinônimo de adoecimento emocional. Sei que é duro, e sei que poucos tem coragem de escrever e falar isto, mas é uma verdade.
Confesso que vi pessoas sinceras e abnegadas pela Obra de Deus definharem psicologicamente em nosso meio como resultado de manobras político-ministeriais e de interesses mesquinhos em nosso meio. Obreiros tratados como peças de um tabuleiro de xadrez, “movidos” e usados a bel-prazer de líderes que encaram a Igreja como seu patrimônio pessoal e não como o rebanho do Senhor.
Em nome da ortodoxia pentecostal, decidimos quem sobe e quem desce. Já vi muitas vezes crentes falando do Inferno com satisfação quase orgástica e diante disto, sempre me espantava com essa postura, postura semelhante à do fariseu que dizia em relação ao publicano: “Não sou como os outros homens…” (Lc 18.11). D. L. Moody, o grande evangelista do século 19, embargava a voz quando falava sobre o Inferno; nós, vibramos ao fazê-lo. Onde foi que nos perdemos? O que aconteceu conosco? O pecado alheio é motivo de conversa para pelo menos um mês, e sempre nos lembramos dos erros das pessoas, mesmo que suas qualidades e contribuições sejam muito maiores. E ainda legitimamos esta tendência nossa de realçar os erros das pessoas mais que suas qualidades, acreditando que tem que ser assim mesmo. A verdade é que agimos assim porque nos tornamos medíocres, porque colocamos os erros das pessoas acima delas mesmas e somos incapazes de perdoar e amar, embora falemos tanto sobre perdão e amor em nossas pregações.
Confesso que vi a Apologética pentecostal tornar-se mais um “cavalo de batalha” do que uma ferramenta de convencimento ao Evangelho. Talvez eu não seja mais tão fervoroso, talvez eu não seja mais tão engajado na evangelização, talvez eu precise sim testemunhar mais de Cristo às pessoas ao meu redor. Por que não pedir ao Senhor que me ajude a agir assim e agradá-lo desta forma? Todavia, estou convencido de que os rumos que nossa Apologética tomou é ainda pior do que uma possível apatia quanto à evangelização e “defesa” da fé. Nossa Apologética deixou de ser apologia (“defesa” em grego) para se tornar ataque, agressão, desrespeito à confessionalidade alheia.
Há um tempo participava de um grupo de Whatsapp e vi ali barbaridades. Cristãos tripudiando testemunhas de Jeová e adventistas, com memes e expressões de zombaria. Fiquei horrorizado. Tentei dialogar com o administrador do grupo, um conhecido “apologista” cristão no Brasil. Não demorou para que ele produzisse ataques pessoais (mesmo sem sequer me conhecer) e colocar em xeque meu cristianismo. Escrevi a ele dizendo que pensava o papel da Apologética não daquela forma que estava presenciando ali no grupo (uma Apologética que agride, que fere, que zomba), mas sim uma “Apologética gentil”, que convence pelo diálogo, pelo amor e não pelo interesse em simplesmente vencer o debate e humilhar o herege. Esse “apologista” me retrucou, em tom de zombaria, dizendo que esperava que meu método funcionasse, ao que eu respondi dizendo que eu não estava propondo nenhum novo método, apenas tentando resgatar princípios bíblicos no que diz respeito à defesa da fé. Não foi possível prosseguir com ele, dada a sua hostilidade. Coração apertado, no dia seguinte enviei uma mensagem buscando uma aproximação e minimizar o mal estar. Ele ignorou! Veja: é este tipo de “cristianismo” que se coloca diante de nós, é este tipo de “cristianismo” que marca as igrejas da região onde morei durante duas décadas, Porto de Santana (Cariacica, ES), e no Brasil inteiro. Um “cristianismo” que repele quem pensa diferente, que agride quem reflete e que coloca a doutrina como antagônica ao amor. Ortodoxia sem misericórdia. “Defesa da fé” sem resgate do outro.
No Pentecostalismo, confesso que vi as pessoas recitarem versículos e mais versículos de cor sem, contudo, conhecer efetivamente as Escrituras. E isto inclusive é usado como meio de auferir se alguém está sendo bíblico ou não. Multiplicam-se os “cabeças de Bíblia”, extingue-se a ética cristã. As pregações pentecostais tornaram-se “recheadas” de versículos e mais versículos bíblicos recitados no estilo “metralhadora”, mas cada vez mais desprovidas de sentido, de coerência e de progressão. O interesse pela Bíblia é mais para legitimar o que será dito por parte do pregador do que para orientar a pregação. É um contrassenso…
Não podemos negar que o Movimento Pentecostal provocou em milhões de pessoas o interesse pela leitura da Bíblia, fenômeno estudado pela Academia, mas em nosso meio, infelizmente, multiplicaram-se os “doutores em Teologia” na mesma proporção em que o “analfabetismo bíblico” cresceu vertiginosamente. Convivemos com gente que compra certificados na internet e enche o peito para dizer que sabe muito, e com isso depreciam a Teologia e banalizam a formação teológica. Não participam de programas sérios de Teologia, mas buscam os caminhos mais fáceis em sua tosca obsessão por um “diploma” de Teologia, e não pelo conhecimento teológico propriamente dito.
Confesso que vários dos problemas que aqui alisto, existentes no seio do Pentecostalismo, não são de agora, mas ainda assim não consigo deixar de pensar no Pentecostalismo em termos de um antes e um depois. Isto porque eu mesmo vivi um Pentecostalismo simples, puro, sincero, marcado por lágrimas, alteridade, amor ao outro e senso de serviço a Cristo. Confesso que continuo crendo que este tipo de Pentecostalismo continuo vivo, ainda que fluindo como água em meio a duras rochas no solo da institucionalização que oprime, que afasta, que nos distancia do Evangelho. Com efeito, temos homens e mulheres de Deus, sinceros, que amam a Deus e a Sua Igreja e se esforçam por ela. Gente que não é santa, mas pecadores em santificação. Gente que prossegue mesmo com pouca força e é capaz de abraçar o desviado, o homossexual, quem adulterou, o assassino, o herege e qualquer outra pessoa e lhe mostrar o amor de Cristo que existe em si mesma.
Confesso que continuo sendo pentecostal, mas a vivência cotidiana, os sofrimentos pelos quais passei no ministério cristão e a leitura constante do Evangelho me levaram sim a uma reformulação, revisão e abertura quanto a dogmas e práticas, sem, necessariamente, deixar de ser ortodoxo, bíblico e pentecostal. Nossa crença é um conjunto de convicções, que em grande medida nos foram legadas de modo pronto e fechado, como um pacote entregue que simplesmente acolhemos em nossos braços. Mas nem sempre essas fórmulas se mostram eficazes, praticáveis e ainda, cristãs. No discurso caem muito bem, na vida real muitas vezes são impraticáveis. E o pior: essas fórmulas muitas vezes são eclesiais, não bíblicas. Ajustamos a Bíblia ao que nós mesmos cremos e afirmamos. E isto tem dado lugar a muita incompreensão e até mesmo intolerância com aqueles que não se encaixam nesses rótulos eclesiais. Assim, prossigo ponderando sobre várias questões que perfazem nossa cosmovisão pentecostal. Para mim, o pecado continua sendo pecado, mas lido com o fato de que somos – todos sem exceção – pecadores. Entendo que nossa ortodoxia deve ser regida pela graça de Deus e que o juízo divino é sim real, mas me furto desse Deus tirano e cruel que só está na boca daqueles que se consideram mais santos que os outros. Prossigo crendo sim que a Bíblia é suficiente, mas não exaustiva. Por isto mesmo Deus nos deu a razão e o bom senso como ferramentas auxiliares para entender o mundo que nos envolve e cumprir nossa missão que se resume na fala de alguém: “A Igreja não é um museu de santos, mas um hospital para pecadores”.

Roney Cozzer
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