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Momento saudosista: coisas das quais sinto saudade

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Para Pensarmos

"De modo diferente de muitos evangelistas modernos, que tem enriquecido, Moody era homem simples e honesto no tocante ao dinheiro, como em tudo o mais. Não aceitava lucros. Todos os proventos das vendas do hinário de sua autoria e de Ira D. Sankey eram administrados por uma junta de encarregados e eram destinados principalmente para o sustento das escolas de Northfield. Aproximando-se o tempo de sua morte, Moody era homem relativamente pobre. Ele declarou: 'Minha esposa e meus filhos simplesmente terão de confiar no mesmo Deus em que tenho confiado'". R. N. Champlin. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. vol. 4: Candeia, 1991. p. 355.

Por Roney Ricardo

Reconheço que sou um pouco (só um pouquinho…) saudosista.Definitivamente, não gosto de ficar preso ao passado. Passado é passado, e precisamos avançar. O ser humano aprende com o passado, projeta o futuro, mas vive no presente. Há quem diga que essa história de “aprender com o passado” não funciona porque nós continuamos cometendo os mesmos erros. Concordo em partes, mas admito que mudamos muito de nossas atitudes e repensamos muitas de nossas decisões com base no que vivemos e vimos no passado. Recentemente, amarguei, junto com um irmão e um amigo, um grande fracasso financeiro. Tentamos abrir um negócio que, infelizmente, não deu certo. Conversando sobre o assunto com alguém ouvi que numa próxima tentativa, sem dúvida eu não cometeria os mesmos erros que cometi dessa vez. E é verdade. De certa forma, já estou aprendendo com o que passou. Assim, concluo que sentir saudade é algo bom. A saudade nos faz lembrar de pessoas queridas, nos faz recordar, e “recordar é viver”. Nos faz reconhecer a falta, e reconhecer a falta nos leva muitas vezes a valorizar. Assim, eu gosto da saudade. Mas penso que a função mais importante da saudade é nos fazer olhar para o agora e para o futuro. Por exemplo: quem de nós ao lembrar de momentos do passado não pensa em como algumas coisas agora, poderiam ser melhores? Creio que a maioria de nós faz isso. E, como eu e meus leitores certamente temos muita coisa em comum, trago aqui, nesse texto saudosista, algumas saudades que sinto, saudades essas que me fazem repensar o agora, em que direção estamos indo e como podemos trabalhar para melhorar.

Sinto saudades do tempo em que nossas salas eram projetadas para que nos sentássemos de frente um para outro. Hoje, a televisão e/ou o computador tomaram esse lugar de atenção. Tornaram-se o centro das nossas atenções. Na verdade, já nem conversamos mais quando estamos à sala. Apenas assistimos, ou teclamos. Estamos on line, mas distantes; conectados, mas insensíveis;  curtimos o tempo todo, mas não ouvimos mais ninguém; postamos muita coisa, mas pouco construímos, e acessamos bastante, mas pouco ajudamos. Infelizmente, as relações sociais estão desmoronando, e amizades verdadeiras, são raras.

Sinto saudades do tempo em que pregávamos e ensinávamos realmente por amor, com simplicidade. Era aquela velha história, naquele velho linguajar igrejeiro: “vamos ganhar almas para Jesus”. O que me toca é o que subjazia nessa fala tão comum, naquele tempo. Havia um desejo sincero de comunicar o evangelho. De levar outros a Jesus. William Barclay conta que em “fins do século XIX, Huxley, o grande agnóstico, formava parte de um grupo que estava passando uns dias em uma casa de campo. Chegou no domingo, e a maioria dos membros do grupo se preparou para ir à igreja; mas, como é natural, Huxley não se propunha ir. Aproximou-se de um homem que era conhecido por sua fé cristã simples e radiante. Disse-lhe: “Suponhamos que hoje você não vá à igreja, que fique em casa e me diga como toda a simplicidade o que a fé cristã significa para você e por que é cristão”. “Mas”, disse o homem, “você poderia demolir meus argumentos em um instante. Não sou o suficientemente inteligente para discutir com você”. Huxley respondeu com amabilidade: “Não quero discutir com você; só quero que me diga o que este Cristo significa para você”. O homem ficou na casa e falou com o Huxley com toda simplicidade a respeito de sua fé. Quando terminou os olhos do grande agnóstico estavam cheios de lágrimas: “Daria minha mão direita”, disse, “para poder acreditar nisso”.

Em muitos momentos somos imbatíveis num bom debate, “defendendo a fé cristã” (será mesmo?), mas pouco atraentes enquanto cristãos.  Posso dizer que eu vivi num tempo em que as pessoas serviam a Deus com simplicidade, numa fé simples. Nem sempre os argumentos funcionarão, mas uma vida santificada terá um efeito muito maior sobre outra vida, ou outras vidas!

Sinto falta de um tempo em que não tínhamos nada, mas tínhamos tudo! Embora proceda de uma família tradicional e de posses, tive pouco ou quase nenhum contato com meus parentes biológicos, porque fui criado e educado por outra família. Sou filho adotivo. Meus pais adotivos eram pessoas simples e de poucas posses. Meu primeiro computador só fui adquirir na casa dos vinte anos. E carro, eu ainda não tenho, porque também sou uma pessoa de poucas posses (é aquela história de manter a tradição da família… rsrs). Nossa igreja também era muito simples e durante vários anos funcionou na garagem da casa que, paradoxalmente, não abrigava um carro, porque não tínhamos. Curiosamente, era um tempo bom! De fato, não tínhamos posses, não tínhamos nada. Nossa liturgia de culto era simples. Todavia, tínhamos alegria de estar juntos, de cultuar a Deus juntos e era festa. Aprendo com aquele tempo que o alerta de Jesus é verdadeiro: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui” (Lc 12.15). Quando falo “daquele tempo”, não estou idealizando demais. Havia problemas, e dos sérios, mas havia qualidades que hoje, parecem se perder.

Sinto falta de um tempo em que culto era culto! Sim, e culto verdadeiro a Deus não necessita de “grande pregador”, “grande cantora”, “mãos cirúrgicas”, “homem do paletó ungido”, “apóstolo”… não, nada disso! Só precisávamos de crentes, sinceros e iguais em Cristo, que se dirigiam ao templo “apenas” e unicamente para adorar a Deus, para render-lhe graças, para orar, para “estreitar a comunhão com Deus”. Estamos indo aos “cultos” hoje porque fulano estará pregando e fulana estará cantando. Nosso interesse repousa exclusivamente no milagre, na bênção, e não nAquele que realiza o milagre e que concede a bênção. Isso não é culto. Culto a Deus é serviço prestado à Ele. “Mas precisamos exercer a fé”, poderá dizer alguém. Eu respondo: “Exerçamos nossa fé em prol da obra missionária, do avanço da Igreja, da salvação dos perdidos, de batismo com o Espírito Santo, entre outros”. Será que somos capazes de exercer nossa fé apenas por aquilo que nos diz respeito? Esquecemo-nos que Evangelho é altruísmo, abnegação, renúncia.

Enfim, sinto falta de muitas coisas. Mas que farei? Esse tempo não volta mais. É verdade! Todavia, posso avançar e lançar mão dos fundamentos, insistir neles, lutar por eles, orar por eles. Posso falar, viver, escrever sobre o que é que Deus espera de nós e procurar, eu mesmo, viver assim. Ao volver os meus olhos para trás, sou tomado pelas graciosas lembranças de coisas boas que vivi a respeito de Deus, da Igreja, das pessoas, de situações. Todavia, como bem afirma o Pastor Geremias do Couto, o “passado é passado, mas sem ele não haveria presente nem futuro. Não o arruíne com um péssimo presente que trará sombras em seu futuro”.

Deus abençoe a todos!

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1 Comentário

  1. Oseas disse:

    Excelente reflexão meu nobre amigo! Confesso que sou saudosista mais do que deveria, mas como não ser vendo como está o “evangelho” hoje. Sinto saudades dos cultos de 25 anos atrás onde víamos pastores e obreiros pregando o verdadeiro evangelho. Jovens verdadeiramente comprometidos com Deus e não com shows gospel. Crianças batizadas com Espírito Santo pois desde cedo eram ensinadas a buscá-lo com perseverança. Enfim quando vejo pregadores dizendo que nos últimos dias a igreja experimentará um grande avivamento tenho visto o contrário, por isso em meu coração pesa um grande sentimento de nostálgico. Forte abraço!

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