Início » Sem categoria » Oportunizando a convivência

Oportunizando a convivência

Categorias

Para Pensarmos

"De modo diferente de muitos evangelistas modernos, que tem enriquecido, Moody era homem simples e honesto no tocante ao dinheiro, como em tudo o mais. Não aceitava lucros. Todos os proventos das vendas do hinário de sua autoria e de Ira D. Sankey eram administrados por uma junta de encarregados e eram destinados principalmente para o sustento das escolas de Northfield. Aproximando-se o tempo de sua morte, Moody era homem relativamente pobre. Ele declarou: 'Minha esposa e meus filhos simplesmente terão de confiar no mesmo Deus em que tenho confiado'". R. N. Champlin. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. vol. 4: Candeia, 1991. p. 355.
Por Roney Ricardo
 
Site Teologia & Discernimento
 
Hoje,
ouvi algo fantástico na Escola Bíblica Dominical:
“Perdoar é trazer a oportunidade da convivência”.
De fato, penso que a correta atitude, à luz da Bíblia, é buscar restaurar a convivência quando uma relação foi rompida por alguma decepção e falha humana. Costumamos pensar que “não será como antes”, uma vez que a relação foi “arranhada”. Sempre tive muita dificuldade com essa compreensão. De fato, não podemos (e nem devemos obrigar) qualquer pessoa a conviver conosco quando ela não quer, mas devemos – eu, você! – enquanto cristãos, “apagar a dívida”, “rasgar a promissória”, “mandar embora o que incomoda”. Se o outro não quer, deixamos a porta aberta, até que ele permita que seu coração seja tocado pela graça de Deus e possa ele também retornar.
Estou convencido de que se não conseguimos voltar a conviver isso pode ser um claro sinal de que não houve perdão, de fato. Até admito que há casos extremos que impedem realmente uma convivência, como por exemplo, algum caso de agressão sexual. Mas a verdade é que hoje estamos nos afastando das pessoas como se afasta de um local, ou como se desfaz de um bem material. Pessoas são pessoas, e elas, carregamos no peito. As coisas não são simples assim…
Por diversas vezes, Jesus respondia às perguntas que lhe eram feitas não de forma direta, mas “voando” sobre elas. Ele ia mais além! Quando Pedro se aproxima e pergunta “Quantas vezes devo perdoar ao irmão que pecar contra mim?” (Mt 18.21 – BJ) Jesus mostra que tal questão não estava restrita à uma espécie de “tabela limite”. No pensamento rabínico, o perdão estava limitado a três vezes apenas. Pedro pergunta por “sete vezes”, possivelmente pensando que receberia uma aprovação, ou palavra de louvor da parte de Jesus por ter multiplicado por dois e adicionado mais uma vez. Todavia, a resposta de Jesus indica que o perdão deve ser ilimitado. Pedro estava enganado! Diante disso, Jesus passa a contar-lhes uma parábola, a parábola do “Credor Incompassível” ou do “Devedor Implacável”, como na Bíblia de Jerusalém. Essa parábola narra o caso de dois devedores, onde um devia 10 mil talentos a seu senhor e ele mesmo tinha um servo que lhe devia também, mas uma quantia muito menor: apenas 100 denários. O curioso é saber que a dívida que o credor tinha para receber de seu servo devedor era 500 mil vezes inferior à que ele mesmo devia e que lhe fora perdoada (Barclay). E, no entanto, ele não foi capaz de perdoar essa dívida que era muito, mas muito menor. O que o Mestre está a nos comunicar é que fomos perdoador pelo Pai Celeste de uma dívida que não tínhamos como pagar, e no entanto, não somos capazes de perdoar o nosso irmão, numa dívida muito menor, tantas e tantas vezes. Jesus é categórico ao dizer que o perdão divino, estendido a nós, é condicionado à que nós também perdoemos nossos irmãos em suas faltas e falhas conosco (cf. v. 35). Perdoar, sem dúvida, não é fácil, mas não é fácil porque somos pecadores e agimos muitas vezes por egoísmo. Mas que possamos ouvir o ensino de Jesus e supridos da graça de Deus, pôr em prática o exercício do perdão (o pleonasmo foi intencional).
Assim, permita que o perdão remova de seu coração tudo aquilo que lhe traz incômodo em relação à outra pessoa. Permita que o perdão oportunize a convivência com aquela pessoa querida, agora afastada pela mágoa. Com efeito comenta o antigo comentarista devocional da Bíblia, F. B. Meyer: “‘Setenta vezes sete’ é um perdão ilimitado. Esses números assinalam a perfeição da perfeição; e, se Deus pede tanto de nós, o que não está ele disposto a fazer! Podemos desesperar de nós mesmos, mas jamais desesperar da misericórdia perdoadora de Deus! A causa da ruína da alma não é o pecado, mas a incredulidade que julga ser o pecado grande demais para ser perdoado” (F. B. Meyer, 2002, 32).
 
REFERÊNCIAS
BARCLAY, Comentário de Mateus.
Bíblia de Jerusalém: nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.
MEYER, F. B. Comentário Bíblico F. B. Meyer. Belo Horizonte: Betânia, 2002.
Anúncios

2 Comentários

  1. Precisamos aproveitar cada momento que Deus nos dá como oportunidade para demonstrar o amor de Deus e aprender a amar. O perdão é uma grande prova de amor e conversão genuína.

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: