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Desfazendo mitos…

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"De modo diferente de muitos evangelistas modernos, que tem enriquecido, Moody era homem simples e honesto no tocante ao dinheiro, como em tudo o mais. Não aceitava lucros. Todos os proventos das vendas do hinário de sua autoria e de Ira D. Sankey eram administrados por uma junta de encarregados e eram destinados principalmente para o sustento das escolas de Northfield. Aproximando-se o tempo de sua morte, Moody era homem relativamente pobre. Ele declarou: 'Minha esposa e meus filhos simplesmente terão de confiar no mesmo Deus em que tenho confiado'". R. N. Champlin. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. vol. 4: Candeia, 1991. p. 355.

Abaixo, algumas observações muito importantes a respeito do conhecimento das línguas originais da Bíblia que ajudam a desconstruir alguns “mitos” populares entre a Igreja brasileira.

  1. Conhecer etimologias bíblicas não é suficiente para a compreensão dos textos bíblicos.

Nem sempre o conhecimento etimológico será determinante na exegese de um texto escriturístico, embora esse conhecimento seja mesmo fundamental. A análise de uma passagem bíblica passa por fatores variados que trabalham em conjunto. De fato, D. A. Carson alerta para aquele erro que ele chama de “falácia do radical”:

A falácia do radical, um dos erros mais persistentes, pressupõe que toda palavra realmente tem um sentido ligado à sua forma ou a seus componentes. Dessa forma, o significado é determinado pela etimologia, ou seja, pela raiz ou raízes de uma palavra[1].

 

O mesmo autor cita um exemplo bem contundente e muito utilizado, inclusive, em nosso contexto. A palavra “apóstolo” no grego do Novo Testamento por vezes é apresentada como significando simplesmente “aquele que foi enviado”. Mas os contextos em que a palavra é usada no Novo Testamento, por vezes indica um “mensageiro”, e não simplesmente “aquele que foi enviado”. Essa última definição pode ser ambígua e imprecisa.

Ora, um mensageiro geralmente é enviado; mas a palavra mensageiro também faz pensar na mensagem que está sendo levada e sugere que essa pessoa representa aquele que a enviou. Em outras palavras, o verdadeiro uso no Novo Testamento sugere que, de modo geral, [a palavra para apóstolo] carrega o significado de representante oficial ou mensageiro especial e não “alguém que foi enviado”[2].

 

  1. Conhecer o hebraico e o grego não faz com que uma pessoa seja um exegeta.

O conhecimento de uma língua demanda muitos anos de estudo e pesquisa, além da prática, no caso dos que procuram a fluência também. Mas a exegese, enquanto disciplina interpretativa, é um trabalho composto, que dialoga com outras áreas de conhecimento teológico e o seu trabalho é feito por etapas. Para um exegeta de fato, conhecer os originais é requisito obrigatório, mas conhecer os originais apenas não faz o exegeta. É preciso dialogar com métodos exegéticos (e em geral, os exegetas adotam um) e conhecer diversos aspectos relacionados à Bíblia, enquanto obra literária. É preciso saber identificar uma perícope, conhecer contextos, dentre outros conhecimentos necessários.

[1] A exegese e suas falácias: perigos na interpretação bíblica, 1992, p. 26.

[2] A exegese e suas falácias: perigos na interpretação bíblica, 1992, p. 28.

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