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A INCÓGNITA MINISTERIAL

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Para Pensarmos

"De modo diferente de muitos evangelistas modernos, que tem enriquecido, Moody era homem simples e honesto no tocante ao dinheiro, como em tudo o mais. Não aceitava lucros. Todos os proventos das vendas do hinário de sua autoria e de Ira D. Sankey eram administrados por uma junta de encarregados e eram destinados principalmente para o sustento das escolas de Northfield. Aproximando-se o tempo de sua morte, Moody era homem relativamente pobre. Ele declarou: 'Minha esposa e meus filhos simplesmente terão de confiar no mesmo Deus em que tenho confiado'". R. N. Champlin. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. vol. 4: Candeia, 1991. p. 355.

O ministério é algo surpreendente, realmente surpreendente. E por vezes se apresenta a nós como uma grande incógnita! Não entendemos muito bem como as coisas podem ser assim… No exercício dele, há dias em que o Senhor lhe diz: “Vai, apresenta-te…” (1 Re 18.1). E há outros em que Ele nos fala: “Retira-te daqui… vai… e esconde-te” (1 Re 17.3). O ministério nos projeta e nos isola, nos dá visibilidade e nos coloca no anonimato. E de alguma forma esse paradoxo se mostra uma constante na vida dos grandes homens e mulheres de Deus do passado e do presente.
No exercício do ministério para o qual fomos chamados, vivemos momentos em que desejamos profundamente alcançar multidões, mas há também temporadas em que apenas o nosso próprio coração já seria suficiente. Encontramos pessoas que são profundamente tocadas por nossas palavras e até grupos maiores, como também somos incompreendidos e até criticados por algo que nem dizemos de fato.
No fazer do ministério, empenhamos e despendemos anos a fio, seja orando, seja estudando, seja investindo, seja pela oralidade, seja pela escrita… nas palavras de Paulo, “se gastando e se deixando gastar”, e isso de muito boa vontade! (2 Coríntios 12.15). Oh! De muito boa vontade sim e Deus o sabe. Convictos de que o Eterno nos chamou, de fato “partimos sem saber para onde estamos indo” (Hb 11.8). E convenhamos: quem de nós, ao iniciar um ministério, sabe exatamente onde ele vai dar? O fragor implacável do passar do tempo, o boicote estridente daqueles que são dirigidos mais pelo mesquinho do que pelo que é relevante, a indiferença das pessoas àquilo que lhe consome, a ciência de que o interesse de alguns por você é só porque isso corresponde a seus interesses pessoais de alguma forma, a voz da filha que lhe pede algo que o ministério não lhe permitiu poder dar, a consciência que lhe pergunta o porquê de não ter investido numa carreira secular e ainda, a inquietante, incômoda e constrangedora indagação silenciosa (mas que soa a badaladas em sua cabeça!) sobre se valeu mesmo a pena ter dedicado nada menos que uma vida à vida dos outros… E quem passou e passa pelos íngremes caminhos de uma jornada ministerial sabe muito bem que a colocação é mais que justa. Ministério nada mais que é uma vida dedicada aos outros. Como Jeremias, entramos realmente num pleito com Deus (Jr 12.1) e à semelhança deste profeta cujo ministério foi marcado pelas lágrimas, podemos dizer à Deus: “Mas tu, ó Senhor, me conheces, tu me vês e provas o que sente meu coração para contigo” (Jr 12.3).
Mesmo convivendo com essa enorme incógnita, ainda sim o coração bate forte por aquilo para o que fomos chamados. E quando pensamos e até mesmo decidimos parar, eis que se põe diante de nós aquele vazio avassalador. Como poderia o pássaro viver sem cantar? Como poderia o peixe viver sem a água? Ou o poeta sem a poesia? E como poderia o escritor viver sem suas letras? De um modo sobremodo maravilhoso, somos impelidos a simplesmente prosseguir, mesmo quando a falta de sentido se põe diante do nosso olhar. Assim, inelutavelmente, o ministério se mostra uma incógnita. À sombra de não ter mais força para prosseguir, nos identificamos profundamente com o lamento de Jeremias: “Quando pensei: não me lembrarei dele e já não falarei no seu nome, então, isso me foi no coração como fogo ardente…” (Jr 20.9). Quem de nós, ministros, nunca sentiu esse fogo de alguma forma?

Roney Ricardo Cozzer

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2 Comentários

  1. Eduardo Brusqui disse:

    Romeu e sua mania de escrever o que nosso coração deseja falar, parabéns mestre, que o Senhor continue lhe usando de forma grandiosa, Deus lhe abençoe.

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