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A FUNÇÃO DO TEÓLOGO

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Pregação Pentecostal no Brasil

Crônica de um peregrino

Ó Pai, confesso que com o passar dos anos, inelutavelmente, não conseguimos evitar mudanças de paradigmas em nossa maneira de ver o mundo à nossa volta. A maneira como encaramos determinadas verdades da Sua Palavra também revemos, em alguns momentos, sem que necessariamente abramos mão dos fundamentos básicos do Cristianismo. Afinal, a Tua Verdade não deixa de ser um conjunto de verdades.

Confesso à Ti, Senhor, que não tem sido fácil ser Igreja também, na mesma medida em que não consigo ser outra coisa, que não Igreja. Bem, mas Teu Filho, meu Salvador, já havia dito que no mundo “tereis aflição”. Ajuda-me a lidar com esta realidade. Fazer uma oração como esta pode ser uma verdadeira heresia para muitos cristãos, mas não consigo deixar de expressar, especialmente a Ti, o que realmente penso, sinto, transpiro… Este sou eu, e isto é característico do meu temperamento: expor, expelir, revelar, justamente por talvez pensar demais e refletir demais.

Minha mente continua voando em seu voo livre, indomável. Ouso sonhar com uma Igreja ideal, ainda que eu mesmo não seja ideal. Bem, este fato por si só já explica porque a Igreja não é ideal, mas sim real: ela convive com pessoas reais como eu. E por isto mesmo eu preciso ser paciente, tolerante, ser capaz de amar o próximo como ele é, ainda que não os seus erros. E se é assim, então por que razão exigimos que a Igreja seja cheia de pessoas ideais quando elas são reais? Sonhamos com o casamento perfeito, com amizades perfeitas, com uma postura moral perfeita, com uma liderança perfeita, quando simplesmente parecemos esquecer que para isto seriam necessários homens e mulheres perfeitos e perfeitas. E isto, nós, definitivamente, não somos. De algum modo, Senhor, as pessoas parecem simplesmente ignorar esta realidade.

Senhor, os dualismos que alistarei para Ti, a seguir, tem afligido meu coração pecador; será que não precisamos, nós, rever nosso cristianismo? Estamos mesmo agradando ao Senhor?

Somos hábeis em defender a ortodoxia, mas tardios em demonstrar amor na concretude da vida…
Nossa lança apologética está sempre afiada; para a segunda milha, estamos sempre cansados…
Vejo tanta gente, Senhor, lutando por posição ministerial, e tão poucas pessoas se predispondo a servir…
Senhor, tantos pastores ordenados, poucos realmente vocacionados…
Vejo Seus dízimos e ofertas serem gastos mais com estruturas e eventos do que com pessoas…
O talento tem sido colocado acima da própria pessoa, Senhor. Veja, que coisa!
Medimos o êxito das pessoas pelo seu bolso, pela sua capacidade empreendedora. Só é vencedor quem comprou seu AP, seu carro zero, ou usa aquele terno daquela marca… como é mesmo?
Meu Pai! Eu fico chocado ao ver como pessoas que não representam nenhuma possibilidade são simplesmente “escanteadas”. Engraçado que para Jesus, a maior oferta veio de quem menos se esperava: a viúva pobre. Alguém que hoje, com certeza, não chamaria nossa atenção na fila para o ofertório.
Ah, Senhor! Eu admito: me incomoda esta nossa tétrica capacidade de lançar pessoas no Inferno, quando aquele Homem tão cansado, tão maltratado, tão ferido, foi capaz de oferecer, na morte, vida ao mais indesejado dos homens: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso”. Que incoerência de nossa parte…
Defendemos a pureza da Igreja na mesma medida em que lançamos fora os impuros… Mas não foi o mais puro dos homens que acolheu publicanos, adúlteras, ladrões, pecadores… eu?
Defendemos o casamento a qualquer preço, mas nos divorciamos dos divorciados e não os queremos entre nós. Todavia, não é o homem mais que uma instituição?
Confundimos o tempo todo amor à pessoa com amor a seus erros. Parece que não conseguimos amar quem não atende nossos parâmetros. E assim vamos vivendo…
Ah, Senhor, eu confesso: sinto-me, por vezes, absurdamente estranho entre os crentes, e noutras vezes, absurdamente um deles!
O que farei, Senhor? Esperarei aceitação? Rejeição? Os dois? Talvez expectar assim só me deixe mais triste. Ajuda-me, mais do que isto, a seguir o exemplo do Mestre Amado, que amou sem ser amado, que deu sem nada receber em troca, que olhou para ângulos há muito rejeitados e que a muitos, como disse o projeta, justificou.

Almejo ser simples, almejo ser quem sou, almejo ser melhor do que agora, almejo ser acessível às pessoas, almejo ser uma simples criatura, almejo ser como Ele! Me dê graça para desejar menos status, mais liberdade, afinal, manter posições nos adoecem. Me dê graça para olhar o que precisa ser visto, ainda que a maioria não o queira ver. Me dê graça para continuar sensível numa era em que as pessoas só conseguem olhar para seus próprios umbigos, inclusive na Igreja. Enfim, ajuda-nos a ser como Ele.

Roney Cozzer

Sobre a crise na relação Pastor-Ovelha

Nos últimos dias temos sido “bombardeados” por informações relacionadas ao suicídio de pastores em diversos lugares do Brasil. Neste vídeo, o professor Roney Cozzer ousa tocar numa ferida com vistas a contribuir com a relação pastor – ovelha nas igrejas evangélicas do nosso país, por meio da presente reflexão.

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Ordenação ao pastorado?

INTERROGAÇÃORecentemente ouvi um pastor amigo contar um caso interessante, de uma cantora evangélica que foi ordenada ao pastorado. A resposta que ela deu quando perguntada sobre sua consagração a pastora, considerei inusitada, mas sua fala reflete uma grande parcela das pessoas hoje que são levadas ao pastorado, ou melhor, à ordenação. Ela teria dito que o fato de agora ser pastora estava lhe permitindo ter acesso a lugares que antes ela não podia ter! Perceba como as pessoas hoje almejam uma ordenação ao pastorado não pelo senso de serviço ao Reino de Deus, com vistas a cuidar de pessoas de fato, mas por motivações que giram mais em torno de seus próprios interesses. Particularmente, considero uma verdadeira crise na Igreja Brasileira o fato de pregadores itinerantes e cantores que não pastoreiam, não tem igreja para pastorear e que não atuam nem como pastores auxiliares, serem ordenados ao pastorado mais por questões de status e “abertura” do que pelo sentido exato do que é ser pastor. Como diziam os pastores antigos, pastores de verdade, “pastor tem cheiro de ovelha”, e tem cheiro de ovelha por conviver com elas, por se interessar por elas, por gastar e se deixar gastar por suas almas. Quando convidado à ordenação pastoral, eu rejeitei por entender que não era ainda o momento, que minhas prioridades naquela fase de minha vida não me permitiriam estar à frente de uma igreja e, acima de tudo, por eu não querer ser pastor só no título, mas na função!

Em Cristo,
Prof. Roney Ricardo Cozzer

Pregação com Pr. Rodrigo Souto na TV

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